As Mulheres na Controladoria Interna
AS MULHERES NA CONTROLADORIA INTERNA
Professora: Suzana Gonçalves
Especialista em Controladoria
Ei, mulher…
se em algum momento você pensou que o peso está demais, que você não vai dar conta, que talvez isso tudo seja maior do que você… segura um segundo.
Eu me chamo Suzana, e estou aqui para te dizer uma coisa com toda clareza: o nosso trabalho é incrível. E não tem ninguém com mais propriedade para se orgulhar do que você.
Porque quem tá na Controladoria sabe. Não é só sobre número, relatório ou norma. É sobre sustentar decisões, enfrentar situações desconfortáveis, dizer o que precisa ser dito — mesmo quando ninguém quer ouvir.
E, ainda assim, existe um discurso bonito por aí dizendo que as oportunidades são iguais, que todos estão no mesmo ponto de partida. No papel, isso pode até parecer verdade. Mas na prática… a história é outra.
A mulher que atua na controladoria não carrega só a responsabilidade técnica da função. Ela carrega também uma rotina que não aparece nos relatórios. É a casa, são os filhos, é a organização do dia que começa antes de todo mundo e termina depois de todo mundo. É a cobrança silenciosa de dar conta de tudo — e dar conta bem.
E não, isso não é sobre diminuir ninguém. É sobre reconhecer o que é real.
Eu falo isso não só como profissional, mas como mulher, como mãe. Tenho 37 anos, sou mãe do João Pedro e da Júlia, e sei exatamente o que é fechar o notebook e ainda ter uma segunda jornada te esperando. Sei o que é estar cansada e, mesmo assim, precisar manter a postura, a técnica e o equilíbrio.
Porque a controladoria não permite meio termo. Ela exige posicionamento. Exige firmeza. Exige independência.
E, muitas vezes, exige também que você segure situações que não deveriam existir. Como quando uma profissional é desrespeitada, quando sua fala é questionada não pelo conteúdo, mas por quem ela é. Eu já ouvi histórias que doem. Como a de uma controladora que me disse: “professora, o gestor gritou comigo… e eu comecei a chorar”.
E sabe o que isso mostra? Não é fraqueza.
É o quanto a gente precisa, além de tudo, ser emocionalmente forte em ambientes que ainda estão aprendendo a respeitar o papel do controle.
Mas aqui vai o ponto mais importante: mesmo com tudo isso, a gente continua.
Continua estudando. Continua orientando. Continua apontando. Continua sustentando a estrutura quando muita gente ainda não entendeu o que é governança de verdade.
A mulher na controladoria não está ocupando espaço.
Ela está sustentando o sistema.
E isso muda tudo.
Porque não é só sobre desafios. Existe também um movimento acontecendo — silencioso, mas forte. Cada vez mais mulheres estão assumindo posições estratégicas, elevando o nível técnico, trazendo uma visão mais responsável, mais comprometida, mais consciente com o impacto das decisões públicas.
Isso não é tendência.
Isso já é realidade.
Mas ainda precisa ser reconhecido.
Por isso, é necessário falar sobre isso. É necessário abrir espaço, dialogar, trazer essas vivências para o centro da discussão. Não como um discurso de fragilidade, mas como um reconhecimento de contexto. Porque ignorar isso não fortalece a gestão — só mascara o problema.
E deixa eu te dizer uma coisa, bem direta:
Você não está sozinha.
Existe uma rede de mulheres que, todos os dias, enfrenta os mesmos desafios que você. Que sente o mesmo peso. Que, às vezes, dúvida… mas segue mesmo assim.
E se você se identificou com esse texto, eu te digo com toda certeza: parabéns.
Parabéns, porque você está fazendo um trabalho que muita gente não teria coragem de fazer.
Parabéns porque você sustenta, com técnica e responsabilidade, uma função que exige mais do que conhecimento — exige caráter.
Parabéns, porque, mesmo cansada, você não desistiu.
E não desista.
Porque a Controladoria precisa de gente como você.
Firme. Técnica. Humana.
E, acima de tudo, consciente da importância do que faz.